Artigo · 17 de setembro de 2026
Na dengue, a febre baixar não quer dizer que passou
Na dengue, o período mais perigoso costuma ser entre o terceiro e o sétimo dia, justo quando a febre cede. Conheça os sinais de alarme e o que fazer na hora.
Por Dra. Maria Andréia Isidoro · Médica, CRM-PR 60577
A febre cedeu, a pessoa se sente um pouco melhor e a vontade é voltar à rotina. Na dengue, é exatamente aí que a atenção precisa aumentar.
O período entre o terceiro e o sétimo dia de doença, quando a febre costuma baixar, é o que a medicina chama de fase crítica. É nele que os sinais de alarme costumam aparecer.
Por que a melhora pode enganar
Na dengue, a queda da febre não significa necessariamente que a infecção está resolvida. Nessa fase pode ocorrer extravasamento de líquido dos vasos, o que se manifesta como dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangramentos e queda de pressão.
A maioria dos casos evolui bem. Mas os casos graves quase sempre dão aviso antes, e o aviso aparece justamente nesse intervalo.
Sinais de alarme: procure atendimento na hora
- Dor forte e contínua na barrigaDor abdominal persistente, que não passa e não é aliviada pelo repouso.
- Vômitos que não paramVômitos repetidos, que impedem a pessoa de se hidratar.
- SangramentoNo nariz, na gengiva, em pintinhas na pele, nas fezes ou na urina.
- Tontura ou desmaio ao levantarSinal de queda de pressão.
- Sonolência ou irritabilidade fora do normalPrincipalmente em crianças e idosos.
Apareceu qualquer um deles, procure atendimento imediatamente. Não espere o dia seguinte para ver se melhora.
"Na dengue, o dia em que a febre baixa é o dia de olhar mais de perto, não de relaxar."
O que fazer na suspeita de dengue
Com suspeita de dengue, o cuidado básico é hidratação abundante, repouso e avaliação médica para confirmar o diagnóstico e definir o acompanhamento. A hidratação é o principal cuidado domiciliar e precisa ser mantida mesmo quando a pessoa está sem sede.
Evite anti-inflamatórios e AAS (ácido acetilsalicílico). Esse grupo de medicamentos aumenta o risco de sangramento, que é justamente o que se quer evitar. Não tome remédio por conta própria: quem indica o que usar para febre e dor, e em que dose, é a avaliação médica.
Por que falar disso agora
A previsão para o Paraná é de chuva acima da média com o El Niño até o verão. Chuva significa água parada, e água parada é tudo de que o mosquito precisa para se multiplicar. O aumento de casos costuma vir algumas semanas depois do aumento das chuvas, e não no mesmo dia.
Dez minutos por semana no quintal resolvem a maior parte do problema: vasos e pratinhos de planta, calhas entupidas, pneus, garrafas, baldes e caixa d'água destampada.
Quando procurar a clínica
Febre com dor no corpo, dor atrás dos olhos, dor de cabeça e manchas na pele merecem avaliação, principalmente em período de chuva e com casos na região. A avaliação define o diagnóstico, orienta a hidratação e estabelece o retorno para reavaliar no período crítico.
Se o deslocamento for difícil na fase aguda, a consulta domiciliar e a consulta online ajudam na orientação inicial. Diante de sinal de alarme, porém, o caminho é atendimento presencial imediato, no serviço de urgência mais próximo.
Dúvidas
Perguntas sobre dengue
Geralmente entre o terceiro e o sétimo dia de doença, quando a febre costuma baixar. É nesse intervalo que os sinais de alarme costumam aparecer, por isso a vigilância precisa aumentar justamente quando parece que está melhorando.
Anti-inflamatórios e AAS (ácido acetilsalicílico) devem ser evitados porque aumentam o risco de sangramento. Nenhum medicamento deve ser tomado por conta própria: quem indica o que usar para febre e dor é a avaliação médica.
Dor forte e contínua na barriga, vômitos que não param, qualquer sangramento, tontura ou desmaio ao levantar e sonolência ou irritabilidade fora do normal. Diante de qualquer um deles, procure atendimento na hora.